sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Quadro branco


domingo, 27 de julho de 2014

Do fim ao começo.

Enfim, todo final encerra.
Toda porta fechada indica que há outro lado.
Do lado de lá começa, do lado de cá termina.
Finalmente, uma questão de ponto de vista.

Comecei com um fim.
Pois, penso:  o que é o final para o poeta?
Quando seria o final da poesia?!

A história que falava de Amor contou o que queria.
Quando parou me faltou o amor.
Onde estará seu fim?
Eu que li não entendi, declamei e não estava ali.
Só o poeta deve saber!

Anda escondido o fim.
Camuflado atrás das palavras que precedem o ponto final.
Ponto final?! Aí está o segredo! É ele que indica!
Não! Não. Pois, o encontrei  andando solto em todo lugar.

Onde acaba a poesia?
Na morte da inspiração.
Quando acaba a tinta.
No espaço das teclas.
A poesia se quieta no silêncio.

O poeta morre por alguns instantes para a magia
E, assim acaba a poesia?
Os cenários deixam de ter encanto.
Sem beleza há alguma poesia?
A poesia suporta a falta de natureza?
A poesia comporta o fim.

O fim perfeito, já deve estar escrito.
Eu não consigo encontrar.
Tampouco, entendo qual a hora de acabar.

A única coisa que fez diferença nesta poesia é que acabo de começar.  

sábado, 26 de julho de 2014

Tais olhos


Você se foi, mas me deixou seus olhos.
Não acredito que olhos aqueçam, mas fiquei quente.
Os olhos que me viram no momento que podia ser invisível.
Os olhos que viram a poesia.
Você me sentiu como um repente:  palavras que ainda podiam ser ditas.
Seus olhos estão comigo, me agoniei para devolver.
Mas, logo, me senti protegida, me acalmei.
Abraçam-me aqueles olhos que me viram ao avesso.
Falam-me os olhos que percebem meus sorrisos.
Toca o meu corpo, alcança minhas sensações, tais olhos que conhecem minha essência.
Os olhos que leram o meu livro, em minhas mãos.
Somente por esses olhos eu sou imortal.
Lentes que percebem além da aparência, alcançam o inalcançável.
Olhos que cheiram, comem, dançam ...
Olhos ao pé da letra: apenas um e outro olho que juntos são dois e visualizam seus próprios cenários.
Apaixonantes!
Álbum de recordações que me emprestou sua própria vida para que eu vivesse.
Suas paisagens são minhas paisagens.
Você me emprestou sua arte.
Fiquei com seus olhos.
Enquanto você foi embora.
E o que foi com você no lugar dos seus olhos?
Se olhos não aquecem e eu continuo fervendo, qual seria a lógica?
Fui mais com você do que você pode perceber.
Somos, eu e você, as cores que somam nós dois.
Colorimos.
Foi, não foi embora.
Deixou, levou olhos.
Enxergou e conquistou o amor.
Devolvo tuas impressões,
Porque dependo das tuas interpretações para sonhar teus sonhos.
Seus olhos em minhas mãos, estou em você.
Nossos sonhos!
Você se foi, mas me deixou seus olhos.

 (Valéria Sales)

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Pensamento

Aos poucos estou sentindo otimismo.
Encontrei o que mora em mim, como se eu fosse estante. Meu interior cheio de prateleiras confunde facilmente, por isso sinto o prazer de quem escolheu o livro certo, com a certeza de que a consequência disso é nunca mais ser a mesma.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Reinvenção do amor.

Rapidez, agilidade, praticidade é o que todos querem atualmente.
Celulares, smartphones, tablets, computadores, aplicativos, mensagens de texto, vídeos, gravadores de voz etc.
Portabilidade, conexão 24 horas.
Tudo, tudo, menos pele.
Muito estudo, muita evolução da ciência, toda a tecnologia que anos atrás não pudemos imaginar.
Nenhuma simplicidade.
As pequenas poesias já não fazem falta.
Os romantismos se resolvem na facilidade de não precisar mover as pernas para o envio de uma carta.
Para que cantar serenatas?
Ligações nem são mais necessárias, ouvir a voz já não é prático o suficiente.
Surpresas deixam de ser encantadoras pelos esforços por detrás delas.
Ah! O amor?  - Esse é mais um dos elementos da vida que precisam de F5 ( Dizem os cientistas).
E eu que nasci na época errada? E eu que sonhei com um sarau?
Eu que pensei que amor era o que contava Joaquim Manoel de Macêdo, José de Alencar, Carlos Drummond ...?
Quão desatualizada estou eu, que penso que esperar tem tudo haver com o amor? 
Os cenários que pintavam os poetas já não são contados nos livros.
A emoção anda sendo reinventada.
As pessoas não sentem mais o sol.
O amor foi maquinado.
Lamentável!
Eu fico muda, tal qual Charles Chaplin.
Tempos moderníssimos!

Falta-me a ausência de tudo que foi inventado para poder rever a vida que inventa o amor.    

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Pensamento

Como o tempo passa rápido... 
A gente nem se dá conta.
Os cenários não acompanham. 
Percebo pelos rostos, já não são mais os mesmos.
O meu reflete outro espelho! ...

Valéria Sales

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Voltei a sonhar

Me faltavam sonhos!
Voltei a sonhar.
Agora penso: - E as gavetas?
Tenho gavetas suficientes ?
Agora que são tantos planos...
Quem sabe improviso prateleiras? ...
E aí como organizar?
Aí, aí, aí! quanta ansiedade! Eu mal recomecei a sonhar.
Mal sei como segurar, me sinto com as mãos cheias.
Assim, não vai.
Pior do que não sonhar é derrubar.
Há vida! Eu acredito! Há vida para tantas gavetas.

Valéria Sales