terça-feira, 20 de março de 2012

Se o meu mundo fosse mundo


Se o meu mundo fosse mundo
O amor seria uma essência
As palavras seriam estrelas
As estrelas seriam autenticas
A imaginação seria publicada
A beleza um tanto menosprezada.

Se o meu mundo fosse mundo
Todas as pausas entre os minutos seriam musica
Os pensamentos bons seriam transparentes
As melhores criações viveriam para sempre
Todo dia os planos seriam anunciados
Os sonhos, então, seriam renovados.

Se o meu mundo fosse mundo
Ele seria uma mulher com surtos infantis
Teria alicerce preso na natureza, através de uma única raiz
E fruto desse mundo seria o exagero
A distração seria o desejo.

Se o meu mundo fosse mundo
Haveria uma sequência de movimentos, minuciosamente, previsíveis
Porém, no intervalo entre os movimentos alguém recitaria um soneto
E as rotinas seriam caixas de surpresas invisíveis.

Se o meu mundo fosse mundo
Os sonhos dariam filmes e os filmes não seriam sonhos
Os livros seriam roteiros
Todos os sentimentos desse mundo seriam verdadeiros.
(Valéria Sales)

sábado, 17 de março de 2012

Parceria com o blog Ler, ver e imaginar

Pessoal fiz uma parceria muito legal com o blog Ler, ver e imaginar, através da Aline Ribeiro.
Nesse blog, em breve, vcs contarão com a resenha do livro Etecétera, a vida sob um olhar poético, bem como a resenha de vários livros, sugestões de filmes e muita coisa interessante.

Podem visitar, super indico:


http://lervereimaginar.blogspot.com.br/2012/03/parceria-autores-parceiros.html

segunda-feira, 12 de março de 2012

Conto do final infeliz.


Ele havia desaparecido.
Ela ainda não entendia.
O telefone dele não atende e o endereço se mudou para não recebê-la.
O silêncio pra Ela já era tortura e tristeza.
Até que ele ligou e pediu uma conversar.
Ela já imaginava o que aconteceria.
Mas, mesmo assim escolheu bem a roupa,
Vestiu a melhor lingerie.
Quando viu que Ele estava chegando correu para o espelho,
Colocou perfume, hidratante, maquiagem e refez o cabelo deixando-o mais bonito.
Na hora de abrir a porta Ela agiu com naturalidade, como se não houvesse se preparado.
Ele começou com palavras difíceis.
Ela, surpresa, não conteve as lágrimas.
A maquiagem se desfez e a decepção tomou o lugar.
A porta precisou ser aberta para a despedida e Ele com a testa franzida foi embora.
Ela, da janela, o observou até desaparecer no final da rua.
E ficou na companhia da lingerie perfumada, encharcada de lágrimas.
(Valéria Sales)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Artigo escrito para a revista Prazer em Cavalgar



(Disponível temporariamente no site: http://www.prazeremcavalgar.com.br/)




Tem horas que, de tanta correria na cidade, retorno à minha infância, só assim viajo nos meus pensamentos para o sítio do meu avô. Nada mais saudável do que respirar o ar puro, ter animais e plantas por perto e uma tranquilidade rara nos tempos que vivemos. Ainda que seja na imaginação, a paz do campo é contagiante e lava meu coração.
Lembro que sempre ficava surpresa enquanto caminhava pelos sítios e qualquer um que passasse (morador da região) me cumprimentava. Nessa hora eu pensava, contrariada, o porquê daquela cortesia, se nem éramos conhecidos. A teoria de que “tempo é dinheiro”, que “o dia não é longo o bastante” faz com que as pessoas fiquem cegas, ou pelo menos nunca se cumprimentem sem motivos especiais. E onde meu avô vivia não era assim, as pessoas se enxergavam e até se importavam com o próximo.
A mistura de inocência com a sabedoria do sertanejo, do agricultor, também é coisa encantadora, pois é algo dado apenas pela vida e, especialmente, pelo estilo de vida que eles levam. Difícil ver um sertanejo estressado ou que não saiba muito sobre animais e plantas, não é? São características próprias, únicas e muito verdadeiras.
E como esquecer a decoração de uma casa de “interiorzão”? Começa da visão do terreiro: sempre são muitas janelas e quando elas são abertas o dia entra na casa. Algumas têm alpendres, outras não, mas sempre tinha, ao menos, uma calçada para sentar (Ah! como eu adorava ficar sentada encostada em um alpendre quando minhas pernas não alcançavam o chão e eu me divertia ao balançá-las.); Na sala sempre tem o quadro com um desenho dos entes queridos, a espreguiçadeira, um banquinho de madeira, um rádio daqueles antigos com sua antena levantada e talvez televisão, porque novela das nove horas eram as “histórias de trancoso”, as orações em família, as conversas etc. No chão, pedras grossas de cimento. As lâmpadas penduradas. O teto sem estuque fazia com que durante o sono fosse possível saber quando os gatos passavam no telhado.
E o som da noite vinha do curral, eram chocalhos. A trilha sonora do dia começava com as garças e continuava com os bem-te-vis, lavadeiras, sanhaçus. Uma verdadeira sinfonia.
Frutas tiradas dos pés, cheiro de terra molhada, mãos e pés calejados, braços fortes pelo trabalho com a enxada, marcas na pele causadas pelo sol, chapéu de couro... Isso tudo compõe uma imagem real e perfeita do sertanejo que guardo em minha memória, que não é passado, eu sei, pois, sempre haverá quem valorize a simplicidade da vida através de grandes detalhes como esses que habitam minhas lembranças.
(Valéria Sales)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia internacional da mulher


Ser mulher é lutar com sensibilidade, é correr maratonas sem perder a vaidade, é amar mais do que tudo quando se é mãe, é fazer tudo por amor, é chorar por coisas simples e suportar grandes dores, é portar a sensualidade de uma flor e a fortes raízes da mais forte das árvores. (Valéria Sales)


Feliz dia da mulher!!!

sábado, 3 de março de 2012

Linhas em branco

Lembro perfeitamente em que momento vc inspirou minhas palavras.
E aí eu vivo novamente, como se fosse um roteiro detalhado de tudo que não quis dizer. Guardo na memória todas as partes das poesias que estão em branco, escritas (não escritas) depois dos pontos finais.
(Valéria Sales)

Insônia

A noite me traz a companhia dos meus pensamentos, minhas vontades, meus segredos.
Vou dormir hoje com a melhor roupa, quero sentir cheiro agradável, quero a cama limpinha.
Preciso ser a melhor companhia para mim, passaremos (eu e eu mesma) muito tempo juntas!
(Valéria Sales)